quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O BODINHO

O tempo é implacável mesmo. Só agora, olhando de perto a foto do texto em que apareço entre meu pai e minha avó, notei que eu era até bonitinha aos 21 anos. Sempre que faço uma viagem ao passado, sinto uma enorme saudade daquele período, especialmente dos tempos do Colégio Estadual de Itabaiana.

Eu era uma garota tímida, reservada, e ainda fico corada quando preciso falar em público. Mesmo assim, quieta e caladinha, fiz boas amizades e passei pela adolescência sem grandes alvoroços. Minha turma da 8ª série (no Colégio Estadual) era formada por pessoas cujos comportamentos eram bem diferentes. Tinha de tudo: tímidas, atiradas,
brincalhonas, quietas, fofoqueiras, sisudas, assanhadas, bobinhas, antipáticas, chatas, delicadas, engraçadas, dissimuladas, “barraqueiras”, enfim, uma verdadeira salada.

Celeste estudava comigo e era muito levada da breca (somos amigas até h
oje). Minha irmã cursava a 6ª série e não ficava atrás nas peripécias. Um dia as duas pegaram um bodinho com disenteria, num terreno ao lado do colégio, e o levaram até a porta da nossa sala onde a professora Bebé (Maria José) estava dando aula de português.

O bichinho começou a berrar: bééé... bééé..., chamando a atenção de todos, inclusive da professora Bebé que, obviamente, ficou uma fera. Era impossível controlar o riso e a algazarra foi geral. Até hoje quando lembro a cena, não me contenho.

Não preciso dizer que fiquei morta de vergonha quando a professora virou-se para mim, colocou as mãos na cintura e disse:

– Jandira, veja o que a sua irmã e a sua amiga Celeste estão fazendo!

Corei, é claro! Eu estava tranquilamente assistindo aula, minha irmã e minha amiga aprontam e o constrangimento sobra pra mim, pode? Mas que foi divertido, ah, isso foi. E como rendeu!

Jandira.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

MEU MAIOR E MAIS VALIOSO TESOURO

Hoje é um dia muito especial, o dia do aniversário da pessoa mais importante da minha vida - a minha mãe, meu maior e mais valioso tesouro.

Costuma-se falar que mãe é tudo igual e que só muda de endereço. Que nada! A minha mamãe é, sem sombra de dúvida, uma pessoa ímpar, inigualável. A humanidade que me perdoe, mas tenho absoluta certeza de que em todo o planeta não existe outra mãe igual, pode até haver uma ligeiramente parecida, mas não igual.

Minha mãe é um poço de amor, dedicação, humildade, honestidade, desprendimento, além de ser de uma generosidade ilimitada. É uma lutadora incansável, intrépida, forte, correta, inteligente, criativa, p
erseverante, justa, cheia de energia e atitude.

De origem humilde, minha mãe enfrentou muitas dificuldades e teve que vencer vários obstáculos para estudar, sofrendo humilhações de toda ordem. Mesmo assim, nunca desistiu de lutar para adquirir cada vez mais instrução, conhecimentos, além de sempre buscar o aprimoramento do que aprendia. Ela diz que precisava aprender para poder nos ensinar e assim o fez. É uma vencedora, um exemplo que seguimos com muita honra.

Sinto-me p
rivilegiada e tenho o maior orgulho de ser sua filha, de receber o seu amor, seus cuidados, seus ensinamentos e orientações, suas lições de justiça, dignidade, honestidade, respeito e amor ao próximo.

Eu amo a minha mãezinha linda mais que tudo na vida, sou sua fã incondicional, e ainda tenho muitas histórias para contar sobre essa pessoa adorável, encantadora, essa joia única, o melhor presente que Deus me deu e que me faz feliz só pelo fato de existir. Feliz aniversário pra você, minha mãe querida, e obrigada por tudo!

Jandira.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PARABÉNS, VÓ!

Hoje é o aniversário de nascimento da minha queridíssima avó materna, que estaria completando 104 anos se ainda estivesse conosco. Infelizmente nos deixou há 16 anos, mas continua muito viva e presente em minha memória, tanto que lembro dela absolutamente todos os dias.

A minha avó era uma mulher forte, bonita, decidida, espirituosa, cheia de vitalidade e muito divertida (tão cheirosa!). Também era voluntariosa, braba, geniosa, enfim, tinha seus tantos defeitos como qualquer outra pessoa. Mas como avó, para mim (a netinha predileta), foi a melhor avó do mundo. Ai, que saudade...


Eu adorava ouvir as histórias que contava, especialmente, a sua maneira muito peculiar de se expressar que sempre me encantou. Que coisa linda! Achava aquele seu vocabulário tão interessante que até hoje guardo grande parte dele na lembrança, como se guarda um tesouro. Minha avó era analfabeta, descendente de uma mistura de escravos com portugueses. Nossa família é mesclada de negros, brancos e “meladinhos” (era assim que ela denominava os filhos e netos moreninhos - ou pardos).


Minha avó me levava às missas e procissões, às festas, ao médico, ao posto de vacinação, à feira, aos circos, aos parques de diversão; viajávamos de trem para pagar promessas na cidade de São Severino dos Ramos-PE, ou para visitar sua irmã em Aliança-PE, era demais!.


Ah, no quintal da casa dela havia um pomar e uma horta onde eu passava horas brincando de casinha, criando estórias ou músicas que se perderam no tempo, subindo nas mangueiras, fazendo bichinhos de barro ou com um vegetal parecido com um pepino que chamávamos de "bucheira", e um outro frutinho conhecido por "galinha-de-melão". Enfim, quando eu estava naquele quintal maravilhoso, era um mundo só meu... bom e simples.


Amo a minha vovó, e não uso o verbo no pretérito porque, de fato, continuo a amá-la e a sentir a sua presença sempre por perto. Inclusive, muitas vezes me peguei conversando mentalmente com ela, mas fui aconselhada a parar com isso e deixá-la descansar em paz. Éramos tão apegadas, por isso essa prática mental involuntária. Parei! Mesmo sob protesto (cá pra nós, às vezes ainda sinto o seu cheirinho gostoso). E o que fazer com essa saudade tão grande?

Jandira.

sábado, 16 de janeiro de 2010

BALANÇO

Costumo fazer um balanço anual da minha passagem aqui na terra, para avaliar o significado da minha permanência, então me pergunto: será que estou cumprindo a contento a missão para a qual fui designada? Acho que não, pois a cada dia ando mais triste, desencantada, desiludida, me sentindo inútil, mesmo tendo convicção de que sempre procuro fazer o bem aos outros. Certamente, a minha dedicação está sendo direcionada para quem não precisa dela.

Há algum tempo estou até evitando contestar, protestar, reclamar, pois cheguei à conclusão de que não vale a pena, é luta inglória. Já deu pra perceber que tudo continuará assim como está e eu estou realmente sem ânimo, cansada. Gosto demais da minha família (em especial, minha mãe e meus irmãos), gosto demais do meu amado, dos meus amigos e coleg
as, de todos, enfim, mas existe um vazio em meu coração que precisa ser preenchido. Está faltando motivação, estímulo... está faltando alegria.

Tenho pensado muito em pegar a mochila e ir à busca de algo que dê u
m sentido maior a essa minha vidinha medíocre, talvez me engajar numa dessas missões humanitárias na África ou em qualquer outro lugar do mundo, onde eu possa contribuir de alguma forma para amenizar um pouco o sofrimento de quem está realmente precisando de ajuda. Bem material não tenho pra dar, mas tenho amor, carinho, respeito, atenção e fé em Deus transbordando em demasia dentro de mim, além de uma vontade enorme de me sentir útil e... feliz.

Jandira.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

QUE SITUAÇÃO!

A Belíssima Igreja Matriz de Itabaiana-PB
Foi numa sexta-feira da Semana Santa, em Itabaiana-PB (minha terrinha). O GETI - Grupo Experimental de Teatro de Itabaiana fazia uma apresentação da Paixão de Cristo pelas ruas do centro da cidade, durante a procissão do Senhor Morto, utilizando um caminhão como palco. Eu tinha 17 anos e fazia parte do grupo (fui uma das fundadoras), mas nesse período estava um pouco afastada. Mesmo assim, fui prestigiar o trabalho da turma e acompanhar a procissão.

Quando o caminhão-palco deu aquela paradinha numa das estações da via-crucis, Romualdo, um colega que estava atuando, vendo-me espremida pela multidão, gentilmente convidou-me para subir e até me ajudou a sentar na carroceria. Foi aí que começou o meu martírio... tragicômico, eu diria.

Nessa procissão tinha muita, mas muita gente mesmo, e todos queriam ver de perto os atores interpretando personagens bíblicos. Então, naquele tumulto, uma das minhas sandálias (novíssimas!) caiu. Quando desci e me baixei para pegá-la, o caminhão deu partida... Céus! De repente, escureceu tudo e fui atropelada e pisoteada pela multidão, parecia até o estouro de uma boiada. Que situação!

Foi horrível, vexatório, mas não deixou de ser engraçado também. Contudo, pior que os hematomas e o constrangimento foi não ter conseguido encontrar a sandália. Não pela perda material, pois ganhei outra igualzinha, mas por tratar-se de um presente antecipado de aniversário que a minha mãe havia me dado naquele dia (ela sempre nos presenteia bem antes da data), e que achei de estrear justo naquela ocasião. Ai, como chorei...

Jandira.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

EM JANEIRO TEM VIROSE

É praxe! Não tem jeito! Todo mês de janeiro contraio uma virose, daquela com fortes dores na cabeça, na garganta e por todo o corpo, além de febre, muuuuuitos espirros, coriza, tosse, ânsia de vômito, vertigens e indisposição. Sai um calor pelos olhos e dá uma fraquezinha nas pernas.

Que quadro, hein! É difícil ter que levantar da cama, mas o trabalho me chama... (e a rima também é pobre e precária, tal qual minha saúde neste momento) Ui!

Confesso que, às vezes, dá vontade de dar uma “morridinha” no pé da parede, tamanho é o
mal-estar. Perco até a inspiração... Ai! Nem consigo ficar diante do computador por muito tempo, pois a dor de cabeça é quase insuportável.

Coisa mais antipática e desagradável! Virose com data marcada, não é esdrúxulo? Pois acontece comigo todo ano, sempre na primeira quinzena de janeiro. Oh, céus!...

Jandira.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AUTOAJUDA? QUAL O QUÊ!

Uma pessoa muito querida me falou que meus textos estão descambando para a área da autoajuda. Confesso que fiquei surpresa com a revelação. Autoajuda? Essa não!

Admiro demais essa pessoa tão especial, e respeito a sua opinião. Mas obviamente não concordo com ela, pois o que faço aqui é apenas expor o meu ponto de vista, o que sinto e o que penso acerca de determinadas coisas, sem qualquer outra pretensão. Um desabafo virtual, digamos assim.


A propósito, livro de autoajuda não é exatamente o tipo de literatura que eu aprecio. Nada contra, afinal, cada um lê o que gosta, mas esta realmente não é a minha praia.

Jandira.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

QUE DESPERDÍCIO!

Estou impressionada com a falta de respeito de pessoas que utilizam a internet apenas para ofender os outros. Que coisa mais feia! Quanta pobreza de espírito! É chocante e lamentável a carência total de educação dessa gente. Pelo jeito, essas pessoas desconhecem ou não dão a mínima para os valores éticos. É um desrespeito generalizado e gratuito.

Fico imaginando o que pode levar uma criatura a passar horas diante de um computador escrevendo e produzindo tanta grosseria, baixaria, comentários maldosos, uma vergonha!


Sinceramente, sinto pena, pois um povo sem educação é um povo indigente. Lamento também pelo desperdício de tempo e de oportunidade que poderiam ser aproveitados para se aprender mais, acrescentar e construir, com o intuito de se tornar uma pessoa melhor. É realmente uma grande pena...


Jandira.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O CICLO DA VIDA

O ser humano nasce, passa pela infância - fase gostosa, descompromissada, inocente e de muita energia; aí vem a puberdade, a adolescência - período conturbado, cheio de mudanças, dúvidas, contestações, descobertas e muito vigor. É como um botão que começa a desabrochar; uma fruta que nem é verde nem madura. O processo de amadurecimento vai acontecendo durante a fase adulta - quando a pessoa passa a ser mais responsável, mais centrada, menos sonhadora e inconsequente. O botão finalmente desabrocha - é uma rosa; a maturação da fruta está completa.

Depois de atravessar essas etapas acumulando sabedoria, o indivíduo chega à velhice - o ocaso da vida. Esse período deveria ser de tranquilidade, satisfação e contentamento. Afinal, é tempo de colheita. Infelizmente, porém, muitas vezes a realidade é outra.

Os idosos, muito mais que os jovens, sofrem e definha
m por causa da solidão, da indiferença e do descaso. Na verdade, o que mais precisam e desejam nesta fase da vida é tão pouco, gente, e tão fácil de atender... Querem basicamente atenção, respeito, amor e carinho, necessidades essenciais para uma velhice suave e feliz.

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BRINCANDO COM AS FORMAS GEOMÉTRICAS

Aqui estão mais algumas composições com as formas geométricas. Eram "tarefas de casa" que deveriam ser entregues já na aula seguinte, e os professores costumavam pedir quantidades enormes delas. Lembro que certa vez tivemos que fazer 60 amostras de estamparias (em papel), e eu me empolguei tanto que fiz 140. As atividades eram tão interessantes que o difícil mesmo era parar, pois o desejo de criar fervilhava em nossa cabeça, saía pelos poros.

Vejam só! Não parece brincadeira de criança? Mas é um exercício que exige, principalmente, harmonia e equilíbrio:

Ai, que saudade danada daquele tempo...
Jandira

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ESTUDAR POR PRAZER

Em 1988, ingressei como graduada no curso de Licenciatura Plena em Educação Artística, da Universidade Federal da Paraíba, com habilitação em artes plásticas, depois de esperar por uma vaga durante dois anos.

Foi um período maravilhoso da minha vida, de farta produção artística, ainda mais porque minha turma era formada por pessoas que estavam ali, assim como eu, por puro prazer. Apenas um aluno ingressou através do vestibular (hoje, PSS), os demais já possuíam ao menos uma graduação em outra área de conhecimento, dentre as quais: Psicologia, Odontologia, Serviço Social, História, Química, Pedagogia, Engenharia Civil, Música, Comunicação Social, Enfermagem, Administração de Empresas, Economia, Letras e Direito (tinha até uma juíza!).

Parecíamos um bando de crianças num grande parque de diversões. A criatividade em ebulição (para muitos, inusitada) nos fazia esquecer tudo lá fora, inclusive o tempo. Era muito legal! Eu, particularmente (e modéstia à parte), bati meu recorde de notas dez (32, gente!).

A propósito, é bom lembrar que através da arte é bem mais fácil
aprender qualquer outra matéria. A verdade é que estudar por prazer é como brincar com seriedade. Aprendemos, por exemplo, a brincar com as formas geométricas: triângulos, quadrados, círculos e suas respectivas metades (como podemos ver nestas composições), e isso é só um dos mais simples exercícios dos muitos que fizemos.

As horas passavam despercebidas quando estávamos nas oficinas de cerâmica, bonecos, papel artesanal, arame, gravura, teatro, dança, música, fo
tografia, cinema, desenho, pintura e tantas outras, além das aulas teóricas, os documentários, os exercícios de relaxamento, as visitas a galerias de arte e participações em exposições coletivas, as viagens para pesquisa de campo nos ateliês de artistas famosos, os estágios supervisionados nas escolas... Céus! Era tudo muito gostoso, muito prazeroso, principalmente pela interação, pela coesão existente entre todos, inclusive os professores. Nossa turma era especial por irradiar harmonia, generosidade, carinho, solidariedade e alegria.

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MUDANDO O FOCO

A vida é um presente de Deus, o maior e mais importante. Temos o dever de zelar por ela e não nos cabe tirá-la, jamais! Quando nossa vida anda meio cinzenta, sem brilho, sem sentido e não estamos conseguindo encontrar uma luz no fim do túnel, devemos mudar o foco dos nossos problemas e nos ocuparmos, por exemplo, tentando amenizar as dores dos outros que, muitas vezes, estão enfrentando situações bem piores que as nossas.

Quando damos importância demais aos problemas, ao sofrimento, eles crescem assustadoramente aos nossos olhos. Contudo, quando nos desligamos um pouco e passamos a observar melhor o que está acontecendo ao nosso redor (a mudança de foco), as coisas começam a clarear, a entrar nos eixos, a se equilibrar. Só então percebemos que muitas vezes fazemos a chamada tempestade em copo d’água. O difícil é admitir que “carregamos nas tintas” do nosso infortúnio e aceitar o fato de ter perdido um tempo precioso com coisas que nem mereciam tanta energia desperdiçada.

Somos humanos, passíveis de erros, e o nosso julgamento começa em nossa própria consciência. Não importa o que os outros acham nem as críticas maldosas que façam. O importante é não se deixar arrastar para a escuridão, não entregar os pontos nem desistir da luta. A força de vontade para enfrentar e vencer as adversidades, o desejo de ser e fazer feliz, de irradiar alegria por onde passar e sempre procurar fazer o bem, tudo isso está ao nosso alcance, pois Deus está dentro de cada um de nós. Então, o que estamos esperando?

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

QUASE VIREI CIGANA!

Lembro de situações vividas quando ainda era um bebê. Isso aconteceu quando eu tinha um ano e poucos meses. O mais interessante é que só eu consigo lembrar todos os detalhes: as roupas, o cenário, o cheiro, a temperatura, enfim, como se tudo estivesse acontecendo agora. Minha tia e meu irmão lembram com mais clareza apenas o ponto principal daquele dia: o rapto e o resgate.

Certo dia da minha tenra idade, num fim de tarde, minha tia (à época com dez anos) estava comigo e meu irmãozinho no terraço da nossa casa, quando chegou uma senhora e pediu água. Era uma mulher magrinha, de baixa estatura, pele muito enrugada, mirradinha mesmo; roupas coloridas e um pano na cabeça (a blusa e o pano da cabeça eram de um tecido vermelho brilhoso e a saia estampada com flores enormes de várias cores); usava brincos, medalhas, anéis e colares dourados. Era uma cigana. Minha tia, com a inocência da criança que era, colocou-me no colo do meu irmão de três anos, recomendou-lhe que não me deixasse cair e foi buscar a água.

Ao voltar trazendo o copo com água, encontrou meu irmão sozinho. Perguntou por mim e ele respondeu que a velhinha havia me levado. Céus! Que loucura! Minha tia não perdeu tempo, saiu disparada em nosso encalço, parecia uma bala. Conseguiu nos alcançar logo porque a cigana correu justamente por uma rua com uma ladeira enorme. A idade pesou e minha tia ganhou a corrida. Foi tudo tão rápido que a moça que trabalhava em nossa casa nem percebeu
o movimento.

Ufa! Por pouco não viro cigana. Nada contra o povo zíngaro, mas crescer no convívio da minha família querida foi bem melhor. E, graças a Deus e à agilidade da minha titia, aqui estou contando o ocorrido. Contudo, anos após esse episódio, lá pela adolescência, inventei de aprender um pouco sobre a arte de ler as mãos, conhecida por quiromancia. Até comprei um livro sobre o assunto...
Por que será? Eu, hein! Que coisa!

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SENSIBILIDADE

Estamos vivendo um tempo em que as pessoas estão perdendo a sensibilidade cada vez mais. Cai a sensibilidade, aflora o individualismo, e cada um que se preocupe apenas com seus interesses. Não sobra tempo para prestar atenção no próximo, que pode estar necessitando tão-somente de uma palavra de carinho, um abraço de conforto, um ombro amigo (ou até mesmo de cuidados mais sérios). É muito triste perceber que o ser humano está se robotizando.

Precisamos aprender a ouvir o que o outro tem a dizer, mas ouvir com atenção e boa vontade. E se nesse momento não encontrarmos uma palavra de conforto... gente, um gesto de carinho, uma demonstração de cuidado ou um afago já ajudam tanto... Ruim mesmo é a indiferença.

Quando não demonstramos às pessoas queridas o amor, o carinho e a atenção que sentimos por elas, indubitavelmente estamos deixando escapar uma valiosa oportunidade e que pode ser única, pois o tempo tanto ajuda a curar as feridas, como também pode ser muito cruel e... passar. De repente, tempo esgotado! E aí?

Vamos, então, aproveitar cada minuto da nossa vida, olhar nos olhos do outro e manifestar, expor, deixar evidente o que sentimos, mostrar a nossa atenção sempre, em todos os momentos, antes que seja tarde demais.

Jandira

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"LEIDA" - A CONTADORA DE "ESTÓRIAS"

No texto anterior, falei da alta rotatividade de pessoas que trabalharam em nossa casa durante a minha infância. Eram pessoas bem diferentes no modo de lidar com crianças: umas mais pacientes, outras menos cuidadosas, umas mais simpáticas, outras sisudas, enfim, cada uma com seu jeito peculiar de ser.

Josileide Targino, a nossa “Leida”, destacou-se como a mais divertida e criativa de todas. Enquanto lavava pratos ou passava roupa, por exemplo, conseguia prender a atenção de seis crianças contando historietas, fábulas, filmes e novelas que havia assistido ou situações vividas. A maneira entusiasmada como falava das coisas simples do seu cotidiano tinha algo de fantástico, e assim nos mantinha quietos e atentos (éramos excelentes ouvintes também!). Lembro-me do enorme orgulho com que falava do seu irmão “Capelense”, que fora jogar num time de Portugal... Poxa! Parecia tratar-se de nosso irmão!

“Leida” tinha pouco estudo, mas costumava ler fotonovelas, jornais, revistas, gibis (sempre em voz alta e “catando milho”). Todavia, apesar dos tropeços e gaguejadas, gostávamos muito de ouvi-la. Aliás, a leitura era um hábito comum em nossa casa e, às vezes, isso contagiava os outros que conviviam conosco também. Ah! Não tínhamos aparelho de TV, apenas um rádio antigo que passava o dia inteiro ligado. Lembro das tantas vezes em que dançávamos e cantávamos ao som do velho rádio, e “Leida” era a mais animada. A alegria era geral, uma festa! Ai, que saudade...

Tomar conta de uma casa com seis crianças pequenas para cuidar, fazer as tarefas domésticas e ainda conseguir prender a atenção dessas crianças sem deixá-las sair pra rua, tudo isso de forma divertida e prazerosa, só a super “Leida” fazia.

Por onde andará a nossa querida “Leida”? Não tenho a menor ideia. Faz tanto tempo... Perdemos o contato, mas nunca a esqueceremos, pois ela marcou a nossa infância com a sua alegria. Beijão pra você, garota!

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

“CICIA” - UM DOS ANJOS DA MINHA INFÂNCIA

Minha mãe sempre trabalhou muito e, por isso, precisava de alguém que a ajudasse a cuidar da casa e dos seis filhos pequenos. Minha tia querida ajudava bastante, mas era apenas uma menina e não podia assumir tamanha responsabilidade. Assim, sempre tinha alguém trabalhando em nossa casa.

Muitas pessoas passaram em nossas vidas: Cecília, Chiquinha, Cacilda, muitas Marias, Leida, Elza, Lourdes, Sílvia, Nenem, Zuleide, Fátima, Helena, Lili, Graça, Naná, Zélia, Valdenice, Tereza, Lúcia e muitas outras. Era alta rotatividade mesmo, pois bastava uma queixa nossa (devidamente comprovada, claro!) para a minha mãe trocar de auxiliar. Assim como uma leoa, ela defendia os filhotes com unhas e dentes, não admitindo maus tratos ou que nossa educação fosse desvirtuada (aliás, ainda hoje minha mãe continua uma “leoa”).

Sem dúvida, porém, a mais especial de todas foi Cecília, um anjo adorável que viveu muitos anos conosco, recheando a nossa infância de doçura, afeto e dedicação. Tratava-nos com tanto carinho, como se fôssemos os filhos que nunca teve.

Era uma mulher simples, castigada pelas durezas da vida, de meia idade (talvez), baixinha, pele queimada do sol, sem a mínima vaidade, mas sempre com um sorriso no rosto. Solteira, sem instrução, sem família (nenhum parente ou amigo), sozinha no mundo, apenas com sua fiel companheira Baleia, uma cadela baixeirinha, roliça, com os olhinhos bem atentos e sempre por perto.

“Cicia”, como a chamávamos, era um verdadeiro poço de paciência, dedicação, ternura e delicadeza. E não exagero ao afirmar que ninguém mais, além da minha mãe (que é muito mais que demais!), cuidou de mim com tamanha paciência, carinho e atenção como ela.

Lembro-me tanto do seu olhar doce, sua voz meiga, suas mãos calejadas, mas cheias de suavidade e cuidado ao lavar e desembaraçar meus cabelos longos, por exemplo, para que eu não sentisse desconforto (sempre tive o couro cabeludo dolorido). E essa dedicação toda era partilhada igualmente com cada um de nós, como só uma verdadeira mãe faz.

Sempre penso em Cecília com muito carinho, amor, gratidão e saudade. Para mim ela é um símbolo de desprendimento, de amor-doação, pois dedicou sua vida toda aos outros (incluindo seus bichinhos - Baleia e outros cãezinhos que vieram depois). Tenho certeza que a nossa “Cicia” está iluminando o firmamento com sua luz angelical.

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

sábado, 14 de novembro de 2009

COMUNICANDO

A comunicação é uma das aptidões do ser humano com um leque formidável de possibilidades. Podemos nos comunicar de várias formas – através da fala, da escrita, das artes, dos sinais, dos gestos, dos movimentos e até do silêncio.

Aliás, todo o nosso corpo “fala”, mas nem todas as pessoas conseguem “ouvi-lo”. Um sorriso pode até camuflar o que estamos pensando ou sentindo, mas os olhos denunciam a verdade da alma, mesmo quando se tenta escondê-la.

A mulher, em especial, é muito perspicaz (deve ser o tal do sexto sentido); é capaz de captar informações no ar, ler nas entrelinhas, ouvir o silêncio, decifrando cada gesto, cada movimento e, ao juntar tudo isso com uma palavra solta aqui, outra ali, consegue montar o quebra-cabeça. O homem, em geral, é mais distraído, não costuma ter paciência de observar com a mesma destreza e atenção.

Observadora constante que sou do comportamento humano (são décadas de observação), não exagero ao dizer que, por estar sempre tão “antenada”, muitas vezes consigo “ver” o que o outro está pensando. É a lógica! Por isso, também, já não me surpreendo tanto com certas coisas que incomodam... Como dizem algumas pessoas, “faz” parte!

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br

sábado, 7 de novembro de 2009

O PODER DAS PALAVRAS

A palavra tem um poder incrível, extraordinário. Uma única palavra é suficiente para levar alguém ao ápice ou ao fundo do poço; uma palavra pode construir ou destruir uma relação de amor, de amizade ou de qualquer outro tipo; pode encher o coração de alegria ou feri-lo profundamente.

A palavra doce alimenta e enleva a alma; a amarga envenena e entristece; a suave alegra e acalma; a dura machuca, fere e até mata. As palavras podem provocar um orgasmo ou um suicídio; podem ajudar ou atrapalhar; elevar ou derrubar; podem ter um efeito curativo ou devastador.

Às vezes, até na brincadeira as palavras podem causar danos como dor, mágoa, desgosto, aflição, constrangimento etc. Por isso, antes de proferirmos as palavras, precisamos pensar bem e medir as consequências do que vamos dizer. Devemos ter muito cuidado com quem, quando, como, onde e o que falamos, pois cada pessoa recebe as palavras de forma diferente, de acordo com o estado de espírito e o momento.

Confesso (e como me arrependo!) que já magoei pessoas queridas com palavras duras (mesmo sem baixar o nível). Na verdade, naquele momento o meu objetivo era que minhas palavras funcionassem como um “tratamento de choque”, capaz de sacudir, de despertar aquelas pessoas, na tentativa de resgatá-las do estado de estagnação e cegueira em que viviam. Não deu certo! O resultado não foi o esperado com todos e em alguns casos culminou em ressentimento, entristecendo-me sobremaneira.

Também já fui e, vez por outra, ainda sou atingida com palavras que magoam, ferem, entristecem meu coração. Aliás, dependendo de quem partem, a dor é bem maior. Portanto, ao articularmos as palavras, é necessário que sempre tenhamos tato, sutileza e bom senso, imprescindíveis em todas as relações humanas.

Jandira.
nucoli@yahoo.com.br