quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poesias da admirável Violeta Formiga

TORMENTO

Perdida é a noite
em que os homens
se calam.
Pois deste silêncio absoluto
absurdo
se derivam todas as trevas.


DÁDIVA

Ser pássaro
e voar infinito.
(Que seja este
o meu último
castigo).

AOS LEITORES E SEGUIDORES

Caríssimos e raríssimos leitores, vocês devem ter estranhado a retirada do quadro de seguidores e os comentários deste blog.

Questão de ponto de vista

É fato que um blog é um diário, mas um diário público e não particular como aquele muito utilizado durante a adolescência. Ao levarmos a público os nossos pensamentos e opiniões, devemos ter um mínimo de responsabilidade e prudência, para evitar que outras pessoas sejam atingidas e sofram danos morais, ridicularizações, ofensas, constrangimentos etc. Isso se chama educação e, sobretudo, respeito. Gostamos de ser respeitados, não é? E costumamos respeitar o outro, o espaço, a vida do outro? Enfim...

Neste espaço (que é meu!), procuro manter o nível no que é publicado, especialmente pelo enorme respeito que tenho pelas pessoas. Além disso, a finalidade a que se destina o meu blog é outra e não deve ser desvirtuada.

Assim, guardarei os comentários de vocês com muito carinho e ficarei imensamente feliz se continuar a recebê-los. Todavia, de agora em diante devem ser enviados via e-mail. É só identificar no assunto - Blog da Janda, fazer o comentário desejado e mandar para este endereço: nucoli@yahoo.com.br
Agradeço a compreensão de todos e espero as manifestações.
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Imagens: Google.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

LER O MUNDO

Esta crônica de Affonso Romano de Sant’Anna é simplesmente primorosa! Uma verdadeira obra de arte! Vejam que beleza:

Ler o mundo
(Affonso Romano de Sant’Anna)

Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não. Depende de quem lê. [...]
Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não. Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais à nossa frente. Ainda agora os jornais estão repetindo, a propósito das recentes eleições, “que é preciso entender o recado das urnas”. Ou seja: as urnas falam, emitem mensagens. O sambista dizia que “as rosas não falam, as rosas apenas exalam o perfume que roubam de ti”. Perfumes falam. E as urnas exalaram um cheiro estranho. O presidente diz que seu partido precisa tomar banho de “cheiro de povo”. E enquanto repousava nesses feriados e tomava banho em nossas águas, ele tirou várias fotos com cheiro de povo.
Paixão de ler. Ler a paixão. Como ler a paixão se a paixão é quem nos lê? Sim, a paixão é quando nossos inconscientes pergaminhos sofrem um desletrado terremoto. Na paixão somos lidos à nossa revelia.
O corpo é um texto. Há que saber interpretá-lo. Alguns corpos, no entanto, vêm em forma de hieróglifos, dificílimos. Ou, a incompetência é nossa, iletrados diante dele? Quantas são as letras do alfabeto do corpo amado? Como soletrá-lo? Como sabê-lo na ponta da língua? Tem 24 letras? Quantas letras estranhas, estrangeiras nesse corpo? Como achar o ponto G na cartilha de um corpo? Quantas novas letras podem ser incorporadas nesta interminável e amorosa alfabetização? Movido pelo amor, pela paixão pode o corpo falar idiomas que antes desconhecia.
O médico até que se parece com o amante. Ele também lê o corpo. Vem daí a semiologia. Ciência da leitura dos sinais. Dos sintomas. Daí partiu Freud, para ler o interior, o invisível texto estampado no inconsciente. Então, os lacanianos todos se deliciaram jogando com as letras – a letra do corpo, o corpo da letra. Portanto, não é só quem lê um livro, que lê.
Um paisagista lê a vida de maneira florida e sombreada. Fazer um jardim é reler o mundo, reordenar o texto natural. A paisagem pode ter sotaque. Por isto se fala de um jardim italiano, de um jardim francês, de um jardim inglês. E quando os jardineiros barrocos instalav
am assombrosas grutas e jorros d’água entre seus canteiros, estavam saudando as elipses do mistério nos extremos que são a pedra e a água, o movimento e a eternidade.
O urbanista e o arquiteto igualmente escrevem, melhor dito, inscrevem um texto na prancheta da realidade. Traçados de avenidas podem ser absolutistas, militaristas, e o risco das ruas pode ser democrático dando expressividade às comunidades.
Tudo é texto. Tudo é narração.
Um desfile de carnaval, por exemplo. Por isto se fala de “samba enredo”. Enredo além da história pátria referida. A disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.
Uma partida de futebol é uma forma narrativa. Saber ler uma partida - este o mérito do locutor esportivo, na verdade, um leitor esportivo. Ele, como o técnico, vê coisas no texto em jogo, que só depois de lidas por ele, por nós são percebidas. Ler, então, é um jogo. Uma disputa, uma conquista de significados entre o texto e o leitor.
[...] Estamos com vários problemas de leitura hoje. Construímos sofisticadíssimos aparelhos que sabem ler. Eles nos lêem. Nos lêem melhor que nós mesmos. E mais: nós é que não os sabemos ler. Isto se dá não apenas com os objetos eletrônicos em casa ou com os aparelhos capazes de dizer há quantos milhões de anos viveu certa bactéria. Situação paradoxal: não sabemos ler os aparelhos que nos lêem. Analfabetismo tecnológico.
A gente vive falando mal do analfabeto. Mas o analfabeto também lê o mundo. Às vezes, sabiamente. Em nossa arrogância o desclassificamos. Mas Levi-Strauss ousou dizer que algumas sociedades iletradas eram ética e esteticamente muito sofisticadas. E penso que analfabeto é apenas aquele que a sociedade letrada refugou. De resto, hoje na sociedade eletrônica, quem não é de algum modo analfabeto? Vi na fazenda de um amigo, aparelhos eletrônicos que, ao tirarem leite da vaca, são capazes de ler tudo sobre a qualidade do leite, da vaca, e até o pensamento de quem está assistindo a cena. Aparelhos sofisticadíssimos lêem o mundo e nos dão recados.
A camada de ozônio está berrando um S.O.S, mas os chefes de governo, acovardados, tapam (economicamente) o ouvido. A natureza está dizendo que a água além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.

É preciso ler, interpretar e fazer alguma coisa com a interpretação. Feiticeiros e profetas liam mensagens nas vísceras dos animais sacrificados e paredes dos palácios. Cartomantes lêem no baralho, copo d’água, búzios. Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ler é uma forma de escrever com mão alheia. Minha vida daria um romance? Daria, se bem contado. Mas bem escrevê-lo são artes da narração. Mas só escreve bem, quem ao escrever sobre si mesmo, lê o mundo também.
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(Imagens google)

domingo, 14 de novembro de 2010

ENFIM, AMANHECEU


E o dia amanheceu em festa
Azul, brilhante, liiinnndo!
Tudo renasce a cada dia
É a lei da natureza, a lei da vida.

As histórias são contadas
Reinventadas e renovadas.
E o ser humano é especial
Ergue-se mais forte a cada dia.

Às coisas insignificantes, lixo.
Não merecem qualquer atenção
Nem desgaste nem desgosto.

A vida é uma passagem transitória
O verdadeiro grande presente de Deus.
O tempo... esse é fugaz e precioso!
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Jandira.

sábado, 13 de novembro de 2010

PESADELO


De repente, um vácuo total
As imagens se dissipando
O gosto amargo na boca
Onde está o chão?

Sumiram as luzes, as cores
Nenhuma aragem ou calor
Apenas uma dor pungente
Onde está a saída?

Afundar na imensidão do mar
Desaparecer na areia movediça
Sumir, evaporar sem deixar rastro?

E quanto ao grande presente?
Amanhã, irremediavelmente,
O dia tornará a nascer.
.
Jandira.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

NADA DE NOVO...



Soneto de Fidelidade
(Vinícius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Versos Íntimos
(Augusto dos Anjos)

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

AFINAL... O QUE SOMOS?

Seres humanos ou feras?
Harmonia, cultura e arte?
Máquinas ou equipamentos?
Qualquer coisa ou nada disso?

Somos produto descartável?

Material reciclável?
Artigo perecível, fora da validade?
Lixo tóxico ou pré-sal?

Por que e pra que estamos aqui? O que nos aguarda?
Temos algum valor, alguma importância ou serventia?
Qual o nosso papel no meio em que vivemos?
Que missão precisamos cumprir nesta parada?

Jandira.

sábado, 18 de setembro de 2010

QUEBRA

A confiança é fundamental em qualquer relação humana, seja entre amigos, parentes, casais, colegas de trabalho, de turma, enfim, a confiança é um fator de equilíbrio para uma convivência saudável. Na verdade, é uma demonstração de respeito e consideração. Por isso o estrago é tão grande quando acontece a sua quebra. É como um ferimento profundo que pode até sarar, mas deixa uma cicatriz permanente. A quebra da confiança fere, machuca e como dói, afinal é uma perda, um desencanto, uma decepção.

Amizade, carinho, apreço, amor são sentimentos essenciais ao ser humano, assim como a honestidade, a humildade e o respeito são virtudes indispensáveis. É lamentável quando a pessoa não consegue ser verdadeira e trai a confiança do outro, maculando, deteriorando relações tão valorosas.

Jandira.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É ISSO AÍ!

Hoje, ao visitar o blog de alguém muito especial para mim, senti um orgulho danado de partilhar da sua amizade, da sua história. Seu depoimento ratifica uma das atitudes mais dignas e admiráveis que se deve ter sempre – a humildade.

Humildade, gratidão, ética, amor e respeito ao próximo são algumas das virtudes que muito enobrecem o ser humano. Reconhecer quando se extrapola os limites e ter a hombridade de pedir desculpas é sinônimo de inteligência e demonstração de grandeza de espírito.

Eu já esperava tal atitude dessa pessoa tão querida, inteligente e ponderada, a quem admiro muito e gosto demais. Você, sem dúvida, é muito especial!

Jandira.

sábado, 21 de agosto de 2010

NAS ENTRELINHAS...

A sutileza é um recurso inteligente para quem trabalha com a palavra. Podemos tecer comentários, fazer críticas, protestar, exprimir toda a nossa indignação contra o que ou quem quer que seja. A maneira como fazemos isso é que faz toda a diferença.

A palavra é uma arma poderosa, capaz de provocar reações e manifestações as mais diversas e inusitadas. Algumas pessoas preferem usar as palavras desnudas, cruas, mastigadas, evidentes demais. Mas assim elas perdem o encanto e o texto produzido limita-se apenas a informar a opinião de quem o escreve.

Sinceramente, é muito mais interessante utilizar as palavras com sutileza, com argúcia, despertando no leitor a capacidade de ler nas entrelinhas, de captar a mensagem que o autor quis passar, instigando-lhe o desejo de argumentar, fazer conjecturas e tirar suas próprias conclusões. É ou não é?

Jandira.

domingo, 8 de agosto de 2010

HOMENAGEM AO PAI QUE JÁ PARTIU

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.

Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.

A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista?

Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.

Seca tuas lágrimas,
e se me amas,
não chores mais.

(Oração de Santo Agostinho)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A PRINCESINHA CHEGOU!

A família real cresceu e está em festa, pois acaba de vir à luz uma princesinha linda, a primeira da quarta geração da dinastia. E chegou coberta de bênçãos, iluminada, trazendo consigo muito amor, beleza, júbilo, serenidade, doçura, harmonia e energias positivas.

Mais um botão de rosa que brota, aumentando a linhagem do clã. Parabéns ao papai, à mamãe, à avó, aos avôs, aos tios, aos primos e à grande matriarca, a bisavó.
O reino todo é só alegria. Seja muito bem-vinda, princesinha, e que Deus a abençoe!

Jandira.
Postado por JANDIRA às 16:15 1 comentários

SÁBADO, 31 DE JULHO DE 2010

EPISÓDIO INFELIZ

Hoje assisti a cenas de exacerbada falta de educação e respeito. Foi chocante ver pessoas graduadas se comportando de forma irascível, grosseira e desagradável, numa demonstração insofismável de total descontrole emocional e ausência de civilidade.

Educação e respeito são os alicerces para uma convivência saudável e harmoniosa. As pessoas precisam aprender a ouvir e a pensar antes de falar, ponderando bem sobre o que vão dizer e qual o efeito que as palavras poderão provocar.

É natural e aceitável que haja discordância de pontos de vista, argumentações, enfim. Para tanto, porém, não há necessidade de alterar os ânimos e baixar o nível da discussão, gerando uma situação desagradável de desrespeito. Provocações gratuitas, afrontas e indelicadezas são atitudes desprezíveis, tacanhas, um desperdício de energia absolutamente desnecessário.

Conter a impulsividade, saber recuar no momento certo e manter o equilíbrio é uma demonstração de amadurecimento e sensatez. Espero, sinceramente, que a boa educação, a harmonia, o bom senso e, sobretudo, respeito e amizade grassem entre nós.

A propósito, este "desabafo" não é direcionado a A, B ou C, mas pode sugerir uma reflexão sobre o nosso comportamento individual e perante os outros (ou não!).

Jandira.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

HOJE É O “DIA DOS AVÓS”

Não conheci meus avôs, pois já haviam partido quando cheguei. Mas tive a felicidade de conviver com minhas avós, especialmente a minha queridíssima avó materna, a quem prestei homenagem num texto postado no dia 20 de janeiro deste ano.

Minha avó paterna era uma típica senhora de família tradicional, daquelas que conservam uma postura aristocrática, resquícios dos tempos áureos que ficaram pra trás. Vó Linda era de poucas palavras e, mesmo não sendo carrancuda, tinha um semblante inalterável, plácido, distante. Sinceramente, não me lembro de tê-la visto sorrindo alguma vez. Nunca saía de casa, viu a vida passar pela janela. A casa era escura, silenciosa, de rotina conservadora, mas tinha um velho piano na sala, a coisa que mais me atraía naquele ambiente sem cor. Enfim, convivemos pouco, pois quando ela se foi, eu ainda era uma menina.

Minha avó materna era absolutamente o oposto: de origem muito humilde, ficou viúva cedo e precisou trabalhar arduamente para criar sozinha os cinco filhos. Todavia, apesar das dificuldades por que passou e da vida simples que levava, era alegre, intensa, brincalhona, divertida, expressiva, às vezes até exagerada, carinhosa e sempre muito presente em nossas vidas durante os seus 88 anos bem vividos, e grande parte deles morando conosco. Gostava de dançar, de viajar; era uma sumidade na arte de cozinhar e uma artesã de mão cheia. Quando nos deixou, eu já era uma balzaquiana. Sinto uma saudade tão grande da minha avó. Éramos muito apegadas e eu me lembro dela todos os dias.

A propósito, estou prestes a me tornar tia-avó. Minha primeira sobrinha-neta nasce por esses dias. Estou ansiosa para ver a nossa princesinha.

Jandira.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

FRUSTRAÇÃO

Uma pessoa muito querida fez minha inscrição no evento II Mostre o seu Talento, promovido pelo Sebo Cultural e Prefeitura Municipal de João Pessoa-PB, na tentativa de me ajudar a desbloquear, a despertar minha criatividade adormecida há mais de quinze anos.

Infelizmente, creio que ainda não foi desta vez, e isso está explícito na tela que pintei para o evento. Não encontrei o meu traço, o jeito, o estilo, aliás, falta vida e movimento, nem parece algo feito por mim, por estas mãos que já reproduziram as minhas inspirações com tanta fidelidade e entusiasmo, como se fosse uma fotografia do meu momento criador.

Confesso que foi muito difícil realizar esse trabalho, e digo mais, sinto-me constrangida e até me arrependo por ter encarado o desafio. E pensar que antes essa atividade me proporcionava tanto prazer e alegria... Que frustração, que tristeza...

Jandira.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O QUE FAZER?

É angustiante perceber que todos os sonhos estão ficando para trás, perdidos pela vida afora. O que fazer quando não se tem uma motivação, um estímulo mínimo para realizar até as tarefas mais básicas do dia-a-dia?

As pendências já nem incomodam tanto como antes. Assim, pouco a pouco tudo vai perdendo o sentido, a cor. Eis que a máquina torna-se obsoleta e perde a utilidade.

Sem dúvida, algo está errado. E aí, o que fazer? O tempo urge e não retorna, portanto, é preciso reagir. É horrível ver a vida passar assim, “em brancas nuvens”, como se bastasse apenas cumprir o tempo restante.
Mas, o que foi feito da luz no fim do túnel? Onde se escondeu e como encontrá-la?

Jandira.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

LENDO O OUTRO: A LEITURA DO CORPO

Este é um tema vasto e muito estimulante, inclusive até já escrevi um pouco a respeito, em novembro do ano passado. A linguagem do corpo é uma maneira emblemática de se comunicar. Comumente nem percebemos, mas o nosso corpo denota o que de fato estamos pensando e sentindo. Ou seja, através do corpo refletimos o caráter, os conflitos íntimos, traumas e emoções - alegria, raiva, ansiedade, dor, tristeza, cansaço, frustrações, prazer, enfim, a linguagem do corpo desnuda a nossa personalidade. Wilhem Reich ilustra bem isso na seguinte frase: “O corpo é o inconsciente visível”.

Costumo observar o comportamento dos seres vivos, em especial o do ser humano, e de certa forma, através da leitura corporal tenho conseguido decodificar o que se passa na mente das pessoas. Em seu livro O Corpo Fala?, o psicanalista José Ângelo Gaiarsa afirma que “a linguagem corporal é a mais primitiva forma de comunicação entre os animais”, e continua: “Um observador atento consegue ver no outro quase tudo aquilo que o outro está escondendo - conscientemente ou não. Assim, tudo aquilo que não é dito pela palavra pode ser encontrado no tom de voz, na expressão do rosto, na forma do gesto ou na atitude do indivíduo”. Segundo ele, “se o corpo não falasse, a palavra não teria sentido, justamente porque ele sinaliza intenções, mostra emoções, assume atitudes, faz mil gestos e mil caras”. E uma das suas afirmações mais interessantes é a seguinte: “Aquilo que de mim eu menos conheço é o meu principal veículo de comunicação”.

Realmente, o nosso corpo é um dos meios mais claros de comunicação, e nem precisamos ser alfabetizados para ler o outro, é necessário apenas um mínimo de atenção para se fazer essa leitura. Através de gestos e atitudes o corpo mostra o que realmente está se passando em nosso âmago.

Durante a apresentação de um seminário, incorporei a belíssima crônica Ler o mundo, de Affonso Romano de Sant’anna, que começa com as seguintes frases: “Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não. Depende de quem lê. (...) Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não. Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais à nossa frente. (...)”. Diante de tamanha beleza e profundidade, senti-me completamente imbuída pelas palavras do autor, por isso, ao declamar aquele texto/poesia naquele momento, viajei encantada “para além das palavras”, como se expressou Clarisse Lispector em seu livro Água Viva: “Encarno-me nas frases voluptuosas e ininteligíveis que se enovelam para além das palavras. Lemos com o corpo todo, nosso corpo linguageiro.”

A propósito, isto é apenas um breve resumo das minhas considerações acerca do tema - Lendo o outro: a leitura do corpo.

Jandira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ELE DEIXOU UM GRANDE VÁCUO

Hoje faz 29 anos que o meu pai fez a grande viagem, foi habitar outras dimensões. Depois de tanto tempo, a dor da perda física já não incomoda tanto, mas a saudade...

Meu pai era um homem reservado, caladão, muito sério. E mesmo não sendo uma pessoa grosseira e violenta, de certa forma aquele seu jeito sisudo criava uma barreira invisível entre nós, os filhos, talvez até pela enorme diferença de idade. Às vezes dizia umas “loas”, umas piadas, e ria tanto, chegando a engasgar-se (eram raros esses momentos).


Absolutamente o oposto da minha mãe, que até hoje é dinâmica, com uma sede inesgotável de adquirir conhecimentos e muito apressada (quer tudo pra ontem!), meu pai não era afeito a movimentos, era tranquilo até demais. E assim viu a vida passar..., sem pressa. Para ele os prazos não tinham a menor importância, pois o tempo era apenas um detalhe. Enfim, era um cidadão pacato, de bom coração e sem grandes aspirações.

Sinto muita falta do meu pai, daqueles olhos de um azul brilhante, profundo, os mais belos olhos azuis que já vi. E como gostaria de voltar no tempo para dizer a ele que o amava muito e que lamento demais pelos altos papos que não tivemos; os grandes abraços que deixamos de trocar e as inúmeras palavras de carinho que, por conta da nossa timidez e daquela barreira invisível, ficaram presas na garganta com receio de sair.

Ao menos o azul do céu ficou mais bonito ao misturar-se com o lindo azul dos seus olhos, meu pai. Sua saída de cena deixou um grande vácuo no meu coração, mas sua imagem continua muito viva em minha alma. Saudades...

Jandira.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FESTA INTERIOR

Hoje é o dia do meu aniversário, dia de festa interior. Algumas pessoas dizem não gostar do aniversário porque significa que estão envelhecendo. E daí? Tal qual uma rosa, brotamos, nos tornamos uma bela flor e depois começamos a murchar e despetalar. É o ciclo da vida - infância, juventude, amadurecimento e velhice.

Sempre fico muito alegre nesta data, mesmo se o dia amanhecer cinzento, nublado ou chovendo, não importa. As cores e o brilho estão dentro de mim, promovendo uma grande festa no meu coração. Além disso, é tão gostoso receber os abraços e as mensagens de carinho de pessoas queridas, não é?

Enfim, tenho mais é que agradecer a Deus por mais um ano de vida, pelo amor da minha família, pelo afeto e o calor humano dos meus amigos tão queridos e de todas as pessoas que ajudam a colorir a minha história. Sem dúvida, são todos muito importantes pra mim.


Jandira.

domingo, 9 de maio de 2010

AS MÃES MERECEM HOMENAGENS TODOS OS DIAS

Domingo - Segunda-feira
Terça-feira - Quarta-feira
Quinta-feira - Sexta-feira - Sábado
Janeiro - Fevereiro - Março - Abril
Maio - Junho - Julho - Agosto

Setembro - Outubro - Novembro - Dezembro.


Jandira.

sábado, 8 de maio de 2010

HAJA PACIÊNCIA!

Falar menos e ouvir mais é uma demonstração de sabedoria, bom senso e educação também. Saber ouvir é muito importante. Há pessoas que fazem isso muito bem, enquanto outras (céus!) mais parecem metralhadoras, e não param de falar nem para respirar direito, sequer percebem o quanto estão atrapalhando e incomodando (onde desliga, hein?).

Pessoas com um comportamento assim podem até ser consideradas engraçadas ou folclóricas, mas a verdade é que está lhes faltando tato para que percebam o quanto estão sendo inconvenientes e inoportunas.


Intervenções demasiado longas, repetitivas, cansativas (muitas vezes fora de foco) são maçantes, aborrecidas e quase sempre nada acrescentam. Aliás, tolhem o direito do outro. É como esses indivíduos que ouvem “música” num volume muito alto, forçando o outro a “engolir” as suas preferências musicais (geralmente, de péssimo gosto).

Outro exemplo de falta de bom senso é aquela pessoa que telefona em horário impróprio e ainda aluga o nosso ouvido para conversar baboseiras, num blá, blá, blá interminável. Meu Deus! É muito desagradável, gente! (Desculpem o destempero).

E, por favor, quem se sentir atingido por este texto que me perdoe, mas à medida que a idade aumenta, o nosso estômago vai ficando cada vez mais sensível, não é mesmo? (E o ouvido também).

Jandira.