domingo, 21 de março de 2010

O ENCANTO DA BOLA

Durante minha infância brinquei de forma igualitária com meus irmãos, sem aquela divisão de brincadeira de menino e brincadeira de menina. Era comum brincarmos juntos de bolinha de gude, pião, casinha, escola, circo, futebol, subir em árvores, brincar de roda, jogar pingue-pongue, jogos de memória e de conhecimentos e muitas outras brincadeiras coletivas. Obviamente, cada um se adaptava às atividades da maneira que se sentisse mais confortável.

No futebol, por exemplo, sempre fiquei na posição de goleiro, pois eu detestava driblar. Tinha vontade de empurrar quem estivesse me impedindo de seguir com a bola e também temia magoar a perna nas divididas (tenho um problema no joelho esquerdo). Na pequena área, porém, eu era uma danadinha. Magrinha e ágil, “voando” de um lado pra outro, dificultava bastante a entrada da bola, a não ser quando a bolada era tão forte que me levava junto... Aí eu começava a chorar e era imediatamente substituída (cá pra nós, fui uma garotinha muuuito chorona).

Ah, quando o jogo de futebol era com aquela bola feita com meias eu não encarava, é claro! A bola de meia era muito pesada, machucava. As meninas fugiam da bola de meia e os garotos ficavam com os corpos cheios de marcas vermelhas depois do jogo, isso quando a bolada não os nocauteava... Ui!

A bola tem algo de mágico e sempre exerceu uma atração forte em mim: bolinhas de rolimã, bolas de gude, de pingue-pongue (tênis de mesa), de futebol, bolas de arranjos natalinos, bolas de festa, bola gigante (daquela que se ganha como prenda nas barracas de quermesses e festas populares), bola de cristal, qualquer bola, simples ou não, e até a esfera do mapa mundi (o globo terrestre das aulas de Geografia), enfim, todas me encantam.

Vou contar um segredo: foi há uns seis anos quando fui fazer um exame de sangue. Na sala de colheita havia um cesto cheio de bolinhas coloridas para dar às crianças pra que não chorassem. Fiquei encantada com as bolinhas e..., não é que ganhei uma! Saí do laboratório toda feliz com o meu troféu na mão e guardo-o comigo até hoje. É a minha companheirinha na hidroginástica, a mascote.

É verdade que o futebol foi introduzido no Brasil por Charles William Miller, em 1894, que trouxe das ilhas britânicas duas bolas e um manual com regras. Mas tenho certeza de que bem antes disso, em nosso país, de alguma maneira os nativos já brincavam de bola. Está no sangue, gente!

Jandira.

sábado, 13 de março de 2010

E VIVA O CIRCO!

Quando criança eu era apaixonada por circo. A casa onde nasci e morei até os 12, 13 anos era numa rua muito larga, por isso sempre armavam por lá: circos, parques de diversão, comícios, lapinhas, enfim, minha rua era uma festa quase constante.

Passaram por lá circos grandes, luxuosos e renomados, como também circos paupérrimos, do tipo “tomara que não chova”, pois não tinham lona para cobrir, e a penúria era tamanha que a trupe ainda pedia comida e água na vizinhança. Mas criança não se importa com essas diferenças, o importante é se divertir. E eu me diverti muito nos tantos circos que passaram em minha rua durante os "meus verdes anos".

Confesso que nunca achei graça nos palhaços, pois não entendia e sempre me perguntava: por que uma pessoa pinta uma cara tão triste e fica tentando provocar risos nos outros? Também não gostava de números com animais, pois além do medo de que escapassem, achava-os muito infelizes naquelas jaulas apertadas e sujas.

O que mais me atraía, na verdade, era o “drama”, uma peça encenada no final do espetáculo. Apesar das atuações precárias, fraquinhas mesmo, eu ficava encantada. Foi dessa época que nasceu em mim o interesse pelo teatro.

Quando não tinha circo na rua, fazíamos um no quintal de casa com as colchas das camas e as cortinas da nossa casa. No espetáculo não tinha animais nem palhaço, mas tinha música, dança, trapézio, malabarismo, contorcionismo, equilibrismo e até mágica. Claro que, às vezes, também aconteciam acidentes.

Os filhos dos vizinhos eram os espectadores e, para entrar, tinham que pagar com uma moedinha ou trazer pipocas, bombons, chicletes, picolés, biscoitos ou frutas para o lanche. Sim, porque tinha a hora do lanche coletivo, era a interação entre a plateia e os “artistas”. Ah, como era bom aquele tempo...

Jandira.

segunda-feira, 8 de março de 2010

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES, SEMPRE!

Reconheço que fui um tanto ácida no texto anterior. É óbvio que existem homens fantásticos, maravilhosos, que não seguem esse modelo machista antiquado, graças a Deus. O importante é que, mesmo de forma lenta, esse tipo de comportamento está caindo em desuso, o que já é uma esperança, não é?

A mulher é um ser versátil, multifuncional e, sem dúvida, admirável. Capaz de realizar várias atividades ao mesmo tempo e, até quando está super ocupada, ainda assim consegue perceber, captar, sentir quando alguém está precisando de ajuda (constatação baseada em anos de observação e, claro, por experiência própria).

Em geral, é muito sensível, carinhosa, doce, amiga, compreensiva, terna, cuidadosa, delicada, protetora, atenciosa, tolerante, companheira, amorosa, inteligente, forte, corajosa, apaixonada, persistente, lutadora, guerreira mesmo (quando se faz necessário). Além de todos esses predicados e muitos outros, ainda tem sexto sentido. Não é demais?

Por tudo isso, continuo achando que um dia só de homenagem é demasiado pouco para a grandeza das homenageadas (Xiii!... parece que andei jogando a modéstia no ralo, hein!).

Jandira.

domingo, 7 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Por que a mulher precisa de um dia para ser “homenageada”? Tenho certeza absoluta de que qualquer mulher se sentiria muito mais feliz se, todos os dias, fosse tratada com mais respeito; se recebesse amor, carinho, compreensão, reconhecimento, cuidados, atenção, zelo e dedicação, na mesma proporção que costuma dar; se os homens tivessem um pouco mais de sensibilidade para perceber que ela é um ser humano e tem que ser tratada como tal, e não como uma máquina ou um bibelô.

É ridículo o comportamento machista e ultrapassado de homens que tratam suas mulheres como escravas, jogando-lhes nas costas todo o ônus de criar e educar os filhos, cuidar deles (os “amos”) e de todas as tarefas domésticas, além de tantas outras atribuições que deveriam ser partilhadas entre ambos.

Para esses homens, a mulher ainda tem que estar sempre bem disposta e com um sorriso no rosto, mesmo depois de uma jornada tripla de trabalho, ou mesmo que tenha sofrido humilhações e maus tratos; também precisa ser compreensiva, abnegada e submissa sempre, e deve sufocar as decepções, o desencanto, as mágoas e as dores, enquanto eles a ignoram e se divertem com os amigos e com outras mulheres, pois isso é “normal”, é assim mesmo, afinal, o homem pode! (Pode?... Sem comentário).

Muitas vezes, quando a mulher tem a possibilidade de ascender profissionalmente, o machista inveterado (pode ser o marido, o patrão, o colega e até o filho), sentindo ameaçada sua condição de macho dominador, tenta podar, cercear, desvirtuar a capacidade dessa mulher, inferiorizando-a.

Enfim, ao invés desse único e insignificante dia de “homenagem”, que tal uma divisão mais igualitária de direitos, deveres, obrigações, afetividade e respeito?

Jandira.